Quarta-feira, 24 de Junho de 2009
Poesia, Poesia, Poesia
Poesia, Poesia, Poesia
Por onde anda?
Estará nos olhos daquela menina
que queima de amores em meu peito?
Ou estará noutro peito
mais solitário que o meu
agora mais real e menos poeta?
Entendo seu ciúme,
sua fuga repentina
feito a minha paixão
por aquela menina.
Mas volte, Poesia!
Volte e veja meu amor
sorrindo a todo momento.
Sinta minha pele suando
de excitação e tormento.
Sinta meu peito leve
sorrindo feito o vento.
Poesia, Poesia!
Não intencionei perder seus encantos,
nem suas belas formas
que me tocavam a cada madrugada.
Apenas me encontrei
em outros braços segunrando os meus,
Noutros lábios
tocando os meus...
Voltei para o meu peito, Poesia
Volte e conheça essa menina
que encanta meus sorrisos
e afaga minhas idas e vindas.
Minha solidão, Poesia,
Não podia mais viver sozinha.
Só suas rimas não tiravam dos meus olhos
as lágrimas de todos os dias
Só essa menina
conhece o meu amor
sem ler romances inteiros
Venha para perto dela, Poesia.
Quero escrever em você
que o meu amor tem nome
e dança comigo.
Quero escrever em você o nome,
os olhos, os sonhos, os sorrisos,
a ternuna e a doce paixão
só dela.
Poesia, Poesia.
Ponde onde anda eu já não sei,
mas com essa menina, minha menina,
eu encontro o mundo
E nele suas rimas,
Poesia!
Sábado, 23 de Maio de 2009
Quem diz sou eu
O mundo gritava pra elas com suas vozes roucas e frias que essa coisa de se apaixonar assim, logo na primeira vez, é besteira de dramaturgia. Olhar não traz paixão, o sorriso é só uma expressão, essa coisa toda literária de encantamento é bobagem de solitários confusos. Deixem disso, é cedo demais! Não pulem etapas, o tempo é que aponta se faz sentido ou não. Paixão só dura alguns segundos, vale mesmo o convívio, as conveniências...
O mundo sussurrava nas madrugadas em seus ouvidos que é besteira. Saudade não existe, olhos fechados, mas com pés no chão. São tantos passados entre esses seus dias de sol, tirem da cabeça essa história de futuro. Dizia tantas controvérsias conscientes e absurdas que, por vezes, soltava uma lágrima ou outra quando ninguém poderia ver...Dizia tantas babaquices.
Elas se apaixonavam a cada instante em que os olhos, tão distantes em semelhanças, trocavam um sorriso doce. Elas se olhavam e sorriam mesmo de olhos fechados, ou inundados de insônia. Contavam o tempo entre suspiros e janelas abertas, e enchiam a alma de poesia de bar. Derramavam uma lágrima a cada milha percorrida, a cada distância. Nem lembravam de luas atrás, estações atrás, lembravam da música sutil para o primeiro beijo, lembravam dos diálogos do dia perfeito, da memória perdida
O mundo dizia sentimentos medíocres com peles esquecidas, e sussurrava sexo contido às coxas e seios. Elas diziam os olhos, os beijos, os risos, as peles, os desejos. Elas diziam que se aquelas mãos entregues uma à outra em sintonia, que se aqueles beijos seguidos de sussurros sentimentais não forem amor, nada mais seria.
Quinta-feira, 14 de Maio de 2009
Primeiro ato
- Vou sentir saudade.
- Eu vou sentir saudade.
Olharam-se nos olhos como há tempos não o faziam. Talvez até já tivessem lançado algum olhar pra outro alguém, mas nunca assim. Os olhos tão opostos em cores e formas encontraram-se num mesmo ponto, num mesmo sentido e podiam dizer absolutamente qualquer palavra, qualquer sentimento intenso sem sequer reproduzir um som. O silêncio bastava para aqueles olhos.
Os lábios colaram sorrisos mútuos, sorrisos abertos numa mesma fração de segundos sobre os braços cruzados ao redor do corpo. Tinham no silêncio a expressão perfeita para a luz apagada e janela aberta.
No rádio uma música cheia dessas palavras escondidas nos medos de amores passados, de paixões erradas, de lágrimas caídas. Por quantas vezes pensaram em desistir dessa coisa toda, desse lirismo todo por uma dor jogada em camas solitárias. Por quantas vezes olharam para as estrelas num céu aberto e desenharam em imaginação cenas de livros e filmes melódicos.
Estavam ali, ouvindo letras de paixão com os olhos cheios dessa vontade incontrolável de parar o mundo e parar o dia e trancar a porta e deixar o som, os olhos e os beijos levarem o resto do tempo inteiro.
Sorriam e entrelaçavam as mãos como se encenassem um filme há anos e estivessem apenas reproduzindo, mais uma vez, com a mesma intensidade do primeiro ato. Era o primeiro ato de uma paixão inteira, sem tempo nem compasso, sem capítulo último. Uma diálogo inicial e só...
Não trocaram nostalgias, passados distantes, passados presentes. Era como se o relógio começasse a girar dali, exatamente naquele instante, naquele sofá claro, naqueles olhos opostos.
Era paixão, e inúmeras precipitações seguras. Eram os olhos e os sorrisos brilhando juntos, e quando os olhos e os sorrisos se completam não há tempo, nem espaço, nem passado, nem medos.
Sabiam da saudade dos próximos dias, mas não sabiam que a paixão terna e doce daquelas noites, e canções, e lençóis, e risos, e abraços, e olhos sorrindo estava só no primeiro ato, no primeiro diálogo da peça mais linda que já atuaram.
Terça-feira, 21 de Abril de 2009
Só pro teu prazer
Puxe meu cabelo, me olhe nos olhos e diz que sou tudo o que você quer apenas por uma noite, somente. Puxe meu cabelo e me olha com esses olhos de quem precisa de carinho, mas só conhece o sexo, e vai embora sem dar adeus.
Encoste-se em meu rosto e me toque de olhos fechados pelo tempo que quiser, e me faz provar dos teus sabores, seu desamores, seus gemidos e sussurros. Coloque-me na minha cama e cubra-se com meu lençol e me faz tremer para depois sorrir de triunfo.
Encontre minhas pernas sob a calça com apenas uma mão e deite a esquerda em meu cabelo negro e deixe-o embaralhar-se junto ao teu, e às bocas, e desejos e prazer. Deixe tua boca encostar minha pele e use qualquer palavra doce que possa tornar poético o pecado dos corpos.
Sinta-me por dentro como nunca sentiu outro alguém e encontre teus medos perdidos entre estes meus sentimentos, essas suas confusões e esse meu apego. Sinta-se na minha cama, no meu perfume, no meu colchão. Sente-se ao meu lado e me faça deitar ao teu.
Procure no teu travesseiro os vestígios do meu, e acorde precisando de homem, sexo, gozo para se esquecer dos nossos cabelos juntos, jogados ao sono.
Me use por uma noite, um mês. Me use para o teu sexo, a tua diversão, finja ser paixão e eu vou acreditar, para saciar o teu descontrole, e a tua insegurança. Encontre outros lábios por perto dos teus e não tão longe dos meus e me faça ver cada detalhe dos teus carinhos.
Me procure em qualquer madrugada cheia das tuas solidões disfarçadas de desprezo e pretensão, me conte do seu dia, dos teus risos, suas manias. Me conte sobre sua família enquanto me dá as mãos para fugir do frio e acenda um cigarro pra fumar comigo.
Esqueça as horas, a rua, a lua, e espere o sol nascer ultrapassando a cortina do meu quarto com teu corpo em transe jogado sobre o meu. E me esqueça, me esqueça rápido, antes que eu não possa mais te esquecer.
Segunda-feira, 20 de Abril de 2009
Alice e a estação
A confusão de vozes estranhas tomava todo aquele imenso saguão sem visão do fim. Luzes brancas se embaralhavam entre os faróis vermelhos de tempo em tempo, ofuscando o olhar de toda aquela gente de rostos e feições efêmeras.
Eram segundos e mais segundos marcados por tantas expressões, e o tempo já não sabia se era ele quem brincava com os corações, ou vice versa. Até o tempo parecia entrar naquela confusão, naquelas vozes.
Alguns sorrisos se abriam com a chegada. As malas em mãos sofriam o peso da saudade e caiam ao chão, dando espaço para um abraço, um aperto de mão, um gesto sem graça ou intenso.
Alguns olhos molhados sussurravam ‘eu te amo’ quase em silêncio com a partida. As malas já guardadas sofriam o peso da saudade, dando espaço para um último beijo, um abraço reticente, mãos entrelaçadas.
Idas e vindas marcadas por diversos rituais complementares. Uma ou outra vez quem deixava derramar uma lágrima tímida ainda iria abrir um sorriso às quatro da manhã querendo dizer a toda estação rodoviária o nome de quem chega. Os sorrisos, mais segundos, menos segundos, iriam ceder lugar aos olhos tristes e saudosos. Toda estação tem sua rotina.
A menina de mochila grande nas costas não sorria. Também não levava nos olhos marca alguma de tristeza, ou sal. Nas mãos nenhum presente, nenhum bilhete. Apenas uma blusa enrolada num dos braços para caso o frio surgisse em meio à madrugada. Talvez chamasse Alice. Tinha no rosto um desses nomes fortes, mas talvez não fosse tão simples assim, não poderia saber ao certo. Apenas carregava nas costas uma mochila, nas mãos uma blusa e um cigarro. Nenhuma carta, flor, nenhum indício para onde iria. Mas voltaria, era certo.
Alice, que provavelmente não tinha esse nome, tinha nos olhos algo diferente. Esperava, assim como todos ali, por algo. Não simplesmente o próximo ônibus, ou o abraço de despedida. Não era isso, e eu podia sentir, mesmo de longe. Esperava por algo muito maior, uma epifania de arrepiar de pele, quem sabe.
Estalou os dedos algumas vezes, aposto que cantava algum samba em pensamento e sorria quando percebia estar em plena multidão. Uma multidão entre abraços e ela ali, só. Completamente só.
Tirou do bolso o único bilhete escondido que levava, sem nome nem letra a mão. As letras impressas diziam, certamente, para onde iria, mas não arrisquei olhar. Sabia, pelos olhos, que iria para onde pertencia, e pertenceria ao resto do mundo, não muito longe. Alice, Alice, Alice...Subiu os três ou quatro degraus, procurou o número de sua poltrona, esticou as pernas, vestiu a blusa outrora em mãos e se perdeu entre pensamentos pela janela e estrada.
Alice, Alice, carregava nas costas uma mochila, nos braços uma blusa para caso o frio da madrugada surgisse, numa das mãos um cigarro e só.
Quarta-feira, 1 de Abril de 2009
Por uma madrugada
Só pra sacanear, essa madrugada eu vou falar a verdade. Sem metáforas, nem ironias, nem poesia, rima, subjetividades. Só pra sacanear, eu vou falar a verdade.
Te acho estúpida pelos teus desamores cometidos, pelas frases ditas, pelo silêncio ridículo, pelo distúrbio de temperamento. Me acho ainda mais estúpida pelas tentativas vagas, pelas noites escritas, pelas loucuras feitas somente por um segundo dos teus olhos.
Acho ridículo o final escrito por você sem qualquer lirismo, mas gosto de como está. Não suportava te dividir com teus egoísmos, tuas meninas, teus meninos, tua insegurança tão bem disfarçada de prepotência. Não suportava não me enxergar longe de você e não suporto me enxergar tão perto de você sem os nossos cigarros seguidos de beijos, ou tanto faz.
Só pra sacanear eu vou te dizer o quanto eu me sinto livre pra fumar o que eu quiser, pra escrever qualquer porcaria estúpida e publicar onde eu bem entender. Eu ainda estremeço por dentro como da primeira vez e quase não sei explicar, se não for por linhas tortas e olhos baixos.
Eu tentava entender todos os teus desatinos e por quantas vezes me joguei numa cama com os olhos cheio de lágrimas enquanto você dormia e acordava ligando pra outro alguém. Eu tentava entender, eu tentava fingir que seria diferente, que comigo, com a gente, seria diferente. Só pra sacanear eu vou dizer a minha verdade, aquela verdade hiperbólica que eu gosto de criar.
Tantas vezes me vi rastejando por um terço de sentimento, por uma preocupação, por um boa noite, por um só dia ao teu lado. Eu mudei minha rotina, meus horários, um pedaço da minha vida. Eu vi num espelho quebrado meu rosto refletindo o seu, e não me via mais.
Só pra sacanear eu vou te contar os meus segredos dos últimos dias, do último mês. Esperava, ao menos, uma lágrima tua declarada, um sofrimento, ainda que sutil. Esperava, ao menos, uma carta de saudade, uma ligação embriagada no meio de uma madrugada inesperada. Pra me sacanear eu vou dizer que eu esperei demais.
Eu sinto falta do seu beijo e da forma como controlava todas as nossas coisas. Só por hoje eu não vou esconder nada, absolutamente nada. Numa ou noutra noite eu ainda fecho os olhos imaginando as nossas manhãs naquilo que era a nossa cama, um esconderijo, talvez.
Só pra sacanear não vou dizer que não espero te ver, nem fingir não ter medo. Eu ainda espero algo de você. Uma lágrima caindo bem diante de mim, um impulso seguido por um abraço forte, um beijo no meio da rua planejado em pensamento, um beijo na chuva.
Não te espero de volta. Pra ser bem sincera confesso não esperar um romance entre nós. Uma paixão dilacerante ao me ver chegar. Não espero.
Nunca mais li as cartas pra ti escritas e guardadas na minha carteira, temo sentir-me tão ridícula ao ponto de rasgar em migalhas e jogar ao vento. Temo não ter coragem suficiente para nunca te entregar.
Só pra sacanear, eu vou acender mais um cigarro enquanto escrevo. É pra soar dramático e exagerado mesmo, só pra sacanear. Vou comprar os livros que já leu, e gostar de todas as poesias sem melancolia que você gosta. Só pra sacanear vou ouvir um disco imbecil e cantar refrões sem sentido.
Pra me sacanear não vou me apaixonar mais uma vez, não vou insistir, nem conquistar. Pra me sacanear eu vou pensar em você mesmo você já não pensando em mim.
Eu estava tão certa quando você dizia ser loucura, quando você jurava de pés juntos ser amizade. Você nunca me enganou, era eu quem me enganava. Uma parte disso tudo foi eu quem criei nessa minha cabeça tola juvenil. A outra parte nós vivemos sentindo. Eu ainda sinto.
Sinto nunca ter te deixado quando dizia partir, sinto ainda mais ter voltado todas as vezes e ter sido perfeito. Sinto ter feito o melhor. Sinto por todas as vezes escritas nas entrelinhas e não ter causado o efeito pretendido. Sinto fazê-lo mais uma vez.
Eu não sei dizer olhando pro teu rosto que ninguém me fez sentir assim, ninguém me fez sacanear e falar a verdade. Isso tudo é apenas uma entrelinha. Uma sacanagem, uma infâmia disfarçada de verdade bruta, um sentimentalismo enorme disfarçado de verdade rude.
Só pra sacanear vou confessar todas as vezes em que fui rude, cruel, e grotesca somente para não cair no choro e implorar teu amor. Eu nunca quis te fazer chorar, mas esperava uma lágrima de desespero, uma lágrima de despedida. Eu não dizia pra não te sacanear.
Eu queria ir a um bar e ver teus olhos discretos procurando minhas feições, reparando meus goles, meus pés balançando. Eu queria nunca ter pedido que usasse óculos e tirasse as lentes.
Pra me sacanear eu vou pra tua cidade e lembrar dos nossos caminhos diários, dos minutos de espera, da angústia em dormir sozinha querendo você ao meu lado.Eu esperava ouvir meu nome ecoando da tua boca, e os riscos sendo deixados de lado por uma noite a mais, por um abraço a mais.
Hoje olhei as horas iguais e não pude evitar o aperto. Hoje o meu sono foi titubeado pela maldita vontade de te escrever às duas da manhã. Hoje eu esperei um sinal de espera, um sinal de uma alegre saudade. Esperei demais.
Só pra sacanear não vou contar nenhuma mentira. Não vejo mais troca de ‘eu te amo’ perdido entre lençóis. Não vejo teus amores todos pra mim.
Ainda ontem, ou há três meses atrás, foi o melhor aniversário que tive e estava sozinha, mas sentia tua voz e teu soneto no meu quarto. Ainda ontem eu planejava minhas viagens pra te ver.
Só pra sacanear eu vou dizer a verdade. Tens sido minha inspiração, mesmo tão longe dos meus braços e planos. Só pra sacanear eu vou te enviar, vou publicar e nunca, nunca mais, tocar no assunto.
Terça-feira, 31 de Março de 2009
Dedicatória
Tantas luas se passaram
do seu último ‘eu te amo’.
Não lembro, ao menos,
qual fora o de adeus,
aquele saído dos teus olhos
e do teu coração.
Leio as dedicatórias
desses livros estúpidos.
Mas só há uma, uma!
De todos aqueles que me dera,
um tem poesia e teu nome
juntos
.
Tua letra redonda,
teu amor declarado,
tua inicial escondendo teu nome.
Tantas luas se passaram
e não ouço sequer a sua voz.
Há outra menina
pra quem teus sussurros
no meio da noite
atormentam o sono.
Há outra mulher
pra quem diz amores
e esconde paixão.
Não sei onde nos perdemos.
Talvez a falta de poesia,
de pele, tato, amor.
Sei onde eu te encontrava
e ainda me vejo perdida por lá
procurando, quem sabe, um olhar,
um sorriso teu que me fale de amor.
Ainda me vejo perdida
procurando esquecer uma saudade,
um olhar,
o sorriso teu que me falava do nosso amor.
Estes meus versos, meu amor
não são tristes.
Não há lágrimas correndo em meu rosto,
não há dor sufocando meu peito.
Estes meus versos, meu amor
são inteiros saudade.
E saudade, meu amor,
saudade dói mais que lágrima,
mais que ciúme de outra mulher.
Saudade, meu amor,
saudade.